

Felipe Giacomelli
Publicado em 9 de outubro de 2026 às 09:34h.
O Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário divulgou, nesta sexta-feira (9) a lista dos 15 finalistas da disputa que reconhece universitários que se destacam pela excelência dentro e fora da sala de aula e lideram projetos de impacto econômico, social e tecnológico. Cada região do país está representada por três finalistas.
“O Prêmio Na Prática Protagonismo Universitário tem como objetivo valorizar o ensino superior e inspirar as próximas gerações de universitários a partir de exemplos de jovens da mesma região, que dividem realidade parecida, mas que conseguiram aproveitar educação e oportunidades para gerarem impacto ao redor”, diz Anamaíra Spaggiari, CEO do Na Prática.
“Os 15 finalistas foram selecionados em todas as regiões do país pelos resultados que alcançaram, pelo protagonismo que demonstram dentro e fora da sala de aula e pelo potencial que têm, em um processo seletivo que reuniu mais de 9 mil participantes. Seus projetos, da tecnologia aplicada à saúde ao empreendedorismo, passando pela pesquisa científica, mostram que há iniciativas de impacto sendo desenvolvidas de norte a sul do Brasil”, complementa a CEO.
Engenharia de Software – PUC Rio Grande do Sul
Referência internacional em competições de robótica, Amanda atua como juíza-chefe e líder técnica em disputas que reúnem alunos do mundo todo. Tornou-se a primeira brasileira e uma das 18 mulheres a integrar o grupo internacional de 300 inspetores-chefes de robôs e desenvolveu um software de inspeção que, após 38 anos, modernizou como as checagens são feitas em nível mundial. A jovem organiza eventos da modalidade desde os 15 anos, realizados em mais de 10 estados brasileiros, além de no Uruguai e nos EUA, e ampliou o número de equipes no Brasil de oito para 220.
No campo profissional, durante seu estágio na SAP, liderou uma iniciativa de inovação que ficou entre os dez melhores projetos globais da empresa e atualmente trabalha na área de Machine Learning, Inteligência Artificial e Redes Neurais da HP, onde é a única estagiária e a única mulher na equipe, interagindo diretamente com profissionais com doutorado.
Direito – PUC Paraná
Alpinista desde os 14, Gustavo se tornou, aos 24 anos, o sul-americano mais jovem a escalar o Everest e o Lhotse em menos de 24 horas. Por serem duas montanhas de mais de 8.000m, foi alertado por alpinistas experientes sobre o risco à vida. A dificuldade era parte da estratégia de ganhar visibilidade para captar recursos e financiar a subida dos outros 12 maiores cumes do planeta. Para conciliar o esporte com a universidade e o trabalho, acordava às 4h para treinar.
Suas conquistas vão além. Aluno de direito com foco na área empresarial, já venceu a Competição de Pareceres organizada pela filial brasileira do Chartered Institute of Arbitrators, para estudantes e jovens profissionais da área. Após estagiar no Tribunal de Justiça do Paraná e na área de Fusões e Aquisições (M&A) de um escritório de advocacia, fundou com o irmão a TUKANA AI, startup que usa IA para simplificar e acelerar a documentação de fusões e aquisições no Brasil, cujos processos costumam ser demorados e manuais. Foi cofundador da Legália Jr, primeira empresa júnior de Direito da PUC-PR.
Engenharia da Computação – UTFPR
Tendo se mudado de Pernambuco ao Paraná para estudar engenharia da computação, Rafael já é um empreendedor serial aos 23 anos e está focado em criar tecnologias nacionais que resolvam problemas reais da área da saúde e de acessibilidade. Ele é CEO e fundador da Neosenti, uma startup que desenvolve uma bengala branca inteligente que auxilia pessoas com deficiência visual a detectar obstáculos que estão na altura do rosto, evitando acidentes.
A startup hoje já emprega quatro pessoas, conquistou R$ 680 mil em um desafio da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial e fornecerá 100 bengalas inteligentes ao governo do Paraná. O jovem também é CEO e fundador da ProteJÁ, startup que trabalha em um wearable para prevenção de quedas em idosos, com autonomia de três meses. Nesse tipo de solução, a duração da bateria é fundamental para o público com idade mais avançada, ao evitar a necessidade de recarga constante.
Ciência da Computação – Centro Universitário do Pará
Vinda de uma família de baixa renda, Brenda considera que o acesso ao ensino superior traz a responsabilidade de retribuir à sociedade. Esse propósito a levou a cofundar a Kitembu após uma visita à Vila Jutaí, a 120 km de Belém, onde conheceu 120 famílias produtoras de cacau cujas safras eram ameaçadas pela seca. A Kitembu é uma iniciativa estudantil que desenvolve uma alternativa de baixo custo para a irrigação, com potes de barro porosos e sensores IoT.
A ferramenta funciona offline, é abastecida por energia solar e alerta os produtores sobre o que fazer antes, durante e após a estiagem. A estimativa é de uma redução de mais de 90% no investimento necessário, o que a torna mais compatível com a agricultura familiar. O projeto ficou em 3º lugar no Amazon Hacking. Brenda também trabalha na Prefeitura de Belém, onde estruturou a base tecnológica do Belém Legado, que reúne dados municipais em um só ambiente para melhorar serviços públicos.
Economia – Universidade Federal do Pará
Nascida em uma comunidade ribeirinha do Pará, Paula iniciou sua carreira na Procter & Gamble, onde gerenciava um portfólio de cerca de R$ 1 milhão por mês em vendas, e na Ambev. Entretanto, decidiu deixar o mundo corporativo para trabalhar diretamente com comunidades amazônicas como a em que nasceu. A virada veio na COP30, em Belém, onde coordenou a declaração Global Youth Statement da ONU, documento que reuniu a contribuição de mais de 30 mil jovens de 150 países e entregue às autoridades presentes.
Hoje, é fundadora da Uiro, startup que usa IA e Big Data para transformar dados dispersos em indicadores, como números da produção e predição de safra, que apoiam decisões comerciais, tornando mais rentável o modelo econômico amazônico da bioeconomia. A Uiro foi validada com três clientes, com impacto estimado em cerca de 200 famílias extrativistas, e já captou R$ 200 mil. Também conduz iniciativas de empreendedorismo na Semana da Amazônia, na Europa, e nas Semanas do Clima de Londres e NY.
Agroecologia – Universidade do Estado do Amazonas
Natural de Urucará, Marcelly atua há seis anos no desenvolvimento comunitário e cultural do interior do Amazonas. É cofundadora do coletivo Casa Verde, onde lidera o projeto Vidros da Amazônia, que já reciclou mais de 27 mil garrafas de vidro, e o Cine Cult Social Itinerante, que leva cinema, arte e lazer a comunidades rurais e ribeirinhas de difícil acesso. Para escalar esse impacto, entrou aos 28 anos no curso tecnólogo em Agroecologia com o objetivo de criar tecnologias sociais: soluções baratas, acessíveis e moldadas às necessidades amazônicas.
Na graduação, integrou a equipe que desenvolveu um desidratador automático de frutas de baixo custo que combina automação por Arduino e energia solar. A solução reduz o desperdício de alimentos nas feiras de Presidente Figueiredo, onde ela vive, a 107 km de Manaus, gera nova fonte de renda para as famílias e foi aprovada em 15º lugar na Fase 1 do Programa Centelha, entre 200 selecionados.
Medicina – Centro Universitário de Várzea Grande – Univag
No início da faculdade, Gabriel enfrentou uma crise financeira familiar e transformou a necessidade de custear os estudos em empreendedorismo. Para isso, fundou duas empresas. A primeira é a PubMeta, que apoia estudantes de medicina a publicar estudos indexados, inclusive em inglês, que são levados em consideração em processos seletivos de residência, bolsas e intercâmbios. Já capacitou mais de 100 estudantes, gerando mais de R$ 150 mil em receita.
A segunda é uma agência de marketing digital médico, que conta com 16 clientes espalhados pelo Brasil e uma receita média mensal de mais de R$ 40 mil, com a qual paga a faculdade. Em paralelo, desenvolveu uma produção científica robusta, com cerca de 30 artigos publicados principalmente na área de medicina vascular, incluindo no prestigiado Journal of Vascular Surgery. Também conquistou um fellowship de pesquisa na Universidade de Yale, nos EUA, para continuar seus estudos.
Medicina Veterinária – Universidade Estadual de Goiás
Recém-formada em Medicina Veterinária e autista nível 1 de suporte, Giovanna fundou a startup WiMilk, que desenvolve um sistema de inteligência artificial e visão computacional para diagnóstico da mastite bovina, uma inflamação na glândula mamária das vacas, entre outras doenças. Essa é a condição que causa maior prejuízo na pecuária leiteira mundial. A tecnologia monitora os animais 24 horas por dia e pode detectar a doença antes de os sintomas aparecerem.
A ferramenta foi testada em grandes fazendas, venceu a 14ª edição do Campus Mobile do Instituto Claro, foi selecionada para uma exposição do BRICS, instituição que a premiou com duas medalhas de ouro, e para uma apresentação no Vale do Silício. Também já atraiu o interesse de investidores. Paralelamente ao empreendedorismo, a jovem publicou artigos científicos em eventos no Panamá, na Argentina e em Portugal e um capítulo de um livro na Costa Rica sobre os impactos da equoterapia (método terapêutico com cavalos).
Medicina – PUC Goiás
Movida por uma forte capacidade de mobilização e liderança, Isadora reestruturou a Liga Acadêmica de Oftalmologia da PUC Goiás, priorizando ações de impacto social. No projeto De Olhos pro Futuro, utilizou a tecnologia de retinógrafos portáteis para realizar triagens oftalmológicas de populações vulneráveis no interior de Goiás. A iniciativa atendeu mais de mil pacientes em seis municípios, identificando alterações no exame de fundo de olho em 42% deles. Viabilizando, assim, o encaminhamento precoce para a realização gratuita de procedimento a laser e contribuindo para a prevenção da perda visual grave e da cegueira.
Já no mutirão Goiás Unido Contra o Diabetes reuniu 400 estudantes e realizou mais de 2.000 atendimentos em um único dia. No campo científico, conduziu uma pesquisa com quase 29 mil prontuários sobre acidentes causados por animais peçonhentos, apresentando os resultados na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e estabelecendo parceria com a Duke University, dos EUA, para aplicar IA em protocolos de atendimento a vítimas de picadas de cobras.
Medicina – Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Diagnosticado com diabetes tipo 1 aos 4 anos, Leonardo fez dessa experiência pessoal a razão para cursar Medicina. Ele fundou a Hypo Predict, startup que usa inteligência artificial para prever hipoglicemias com até uma hora de antecedência e envia alertas por WhatsApp. As ferramentas atuais costumam avisar com cerca de 15 minutos de margem; a Hypo Predict, assim, pode avisar a pessoa a tempo de ajustar a alimentação e evitar uma emergência. O algoritmo foi treinado com 350 mil dados de pacientes reais em parceria com um hospital universitário, e a startup já captou R$ 300 mil em editais.
Como pesquisador no hospital universitário da UFS, participou da equipe que desenvolvia essa inteligência artificial, coletou dados clínicos e glicêmicos dos pacientes e ajudou a criar um fluxo de atendimento que reduziu o tempo de espera deles. Também soma cinco publicações em congressos, incluindo uma apresentação na Sociedade Brasileira de Diabetes.
Medicina – Universidade Federal do Ceará
No tradicional Projeto Tilápia da UFC, que já tratou mais de 500 vítimas de queimaduras com curativos de pele de tilápia, Lucas investigou em nível molecular o funcionamento dessa técnica. Para isso, fez uma análise proteômica, área que mede quais proteínas o corpo produz e em que quantidade, criando um método do zero e aplicando-o em dados que já existiam havia anos. Ele comparou o tecido de camundongos tratados com a tilápia a outros grupos, mapeou mais de mil proteínas e identificou a presença da Anexina A1, proteína ligada ao controle da dor e da inflamação, achado que ajuda a explicar os bons resultados do curativo.
Também criou manuais de bioinformática para outros pesquisadores, explicando sua análise. O trabalho gerou nova bolsa em oncologia, contribuiu para ampliar o grupo de proteômica para mais de 15 pessoas e rendeu um convite para o doutorado. Antes, no ensino médio, idealizou e construiu, em dupla, uma pulseira inteligente que vibra no ritmo da música, voltada a pessoas com deficiência auditiva.
Ciência da Computação – Universidade Federal da Paraíba
Tendo se dedicado aos avanços da IA, Rômulo contou com bolsas de estudo para ingressar em boas instituições ao longo de sua trajetória. Com a Universidade da Pensilvânia, trabalhou para corrigir uma falha das IAs que detectam câncer de mama em exames de imagem. Em mulheres com implante mamário, cerca de 35 milhões no mundo, o implante distorce a imagem, e a IA perde precisão, prejudicando o diagnóstico. Ele ajudou a construir uma base de exames com a marcação correta do tecido mamário nessas pacientes e adaptou modelos de IA para considerarem a distorção, alcançando melhoras superiores a 15%.
Já no laboratório de IA da UFPB, ajudou a reescrever o sistema legado de análise fiscal da Secretaria da Fazenda da Paraíba, que acompanha mais de R$ 2 milhões em impostos arrecadados. Modernizou a base tecnológica do sistema, redesenhou a interface para os auditores e reduziu em 88% o tempo para preparar cada atualização, se tornando desenvolvedor líder do projeto. Também colaborou com a Huawei e com a Quantum Rise.
Medicina – Unifesp
Com perfil de pesquisa e gestão, Gabriel já fundou duas empresas. Uma delas é uma consultoria para clínicas e hospitais onde aplica princípios de alta performance à saúde, com foco no desenvolvimento de processos, inteligência de dados, vendas consultivas e experiência do paciente. Em quatro meses em uma das clínicas, aumentou o número de cirurgias por mês, triplicou a conversão de clientes e elevou o faturamento para R$ 150 mil mensais. Como pesquisador, foi trainee em IA e neuroimagem na Harvard Medical School, investigando alterações no cérebro a partir de mais de 800 GB de ressonâncias magnéticas e trabalhando com as técnicas mais avançadas de segmentação e volumetria de estruturas cerebrais.
No ensino médio, integrou na USP o desenvolvimento de um pâncreas bioartificial, tendo sido selecionado para a maior feira de ciência e engenharia do mundo. Sua paixão pela ciência começou aos 15 anos, quando trabalhava no salão de beleza do pai, varrendo o chão e vendendo brigadeiros. Foi ali que uma conversa com uma cliente, pesquisadora, despertou sua curiosidade.
Medicina – USP
Além da graduação atual em Medicina na USP, João cursou Engenharia no ITA e fez mestrado em Ciência de Dados e Matemática Aplicada na École Polytechnique, na França. Fundou a Health Data, startup que desenvolveu uma infraestrutura capaz de processar mais de 10 TB de dados do DataSUS, com registros anonimizados de 200 milhões de pacientes, sem precisar de um supercomputador.
A startup já gera análises para grupos de pesquisa de alguns dos melhores hospitais do Brasil, sobre câncer de mama, de próstata e de nasofaringe, incluindo sobrevida, tratamentos e determinantes sociais. Entre as descobertas, identificou diferenças no diagnóstico e no investimento em tratamento de câncer entre homens brancos e não brancos e padrões de internação por pneumonia de acordo com variáveis climáticas em São Paulo. Seu propósito é produzir pesquisas em saúde com publicações internacionais e potencial de impacto em políticas públicas.
Engenharia da Computação – Unicamp
Pesquisador de inteligência artificial avançada tanto na academia quanto em empresas, Matheus é o melhor aluno da turma de Engenharia da Computação da Unicamp. Também foi o primeiro brasileiro do programa de pesquisa da Universidade Mohamed bin Zayed, pioneira no mundo em dedicação exclusiva à IA, nos Emirados Árabes. Lá, desenvolveu um sistema de IA que analisa ressonâncias magnéticas 3D de pacientes com tumor cerebral ao longo do tempo e classifica automaticamente a evolução da condição.
Sua tecnologia híbrida, que une Machine Learning clássico e redes neurais modernas, superou a abordagem tradicional em todas as métricas de diagnóstico. O trabalho contribuiu para o prêmio de Best Team do programa de pesquisa e para a publicação de três artigos na maior conferência mundial de imagens médicas. Fez estágio no Valor Capital, fundo de Venture Capital, e Enter, startup brasileira de IA jurídica.

Dos 15 finalistas, 13 (86,7%) estudaram em escola pública ou com bolsa em escola particular:
Ao longo do processo seletivo, iniciado em junho, foram mais de 9 mil candidaturas iniciadas. Dessas, na primeira etapa, mais de 1.600 participantes passaram pela triagem e cerca de 500 foram convocados para as entrevistas individuais e para os testes de raciocínio lógico.
Desse grupo, 50 participantes chegaram à fase do painel regional, uma entrevista coletiva envolvendo os mais bem avaliados de cada região do país, que definiu os 15 finalistas do Prêmio Na Prática 2026.
Na terça-feira, dia 20 de outubro, um vencedor por região será anunciado, totalizando cinco universitários premiados. O anúncio vai acontecer em uma cerimônia em São Paulo. Além do reconhecimento e de um troféu, os cinco selecionados ganham uma viagem, com todas as despesas pagas, para conhecer o ecossistema de inovação e empreendedorismo da China e farão parte da segunda temporada da série Mundo Na Prática.
Além disso, todos os finalistas ganham uma imersão em São Paulo, onde participam de um curso de liderança, da banca final de avaliação, de visita a empresas parcerias e da cerimônia de anúncio dos vencedores.