

Denise Gabrielle
Publicado em 15 de julho de 2026 às 13:19h.
O mercado financeiro em 2026 conecta quem tem dinheiro disponível para investir com empresas, governos e pessoas que precisam de recursos para financiar projetos, consumir ou expandir seus negócios. Essa definição resumida explica como funciona uma das principais engrenagens da economia brasileira e objetivo de carreira de muitos jovens universitários e recém-formados.
Quando se fala em mercado financeiro, muita gente pensa em bancos e investimentos. Mas o setor é muito mais amplo. No Brasil, esse sistema é acompanhado por diferentes órgãos.
O Banco Central, por exemplo, zela pela estabilidade do sistema. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) regula e fiscaliza o mercado de capitais, que inclui a Bolsa de Valores e outros valores mobiliários. Outras entidades são o Conselho Monetário Nacional, a Susep (Superintendência de Seguros Privados) e a Anbima.
Além disso, essa é uma área em transformação. O avanço da tecnologia está fazendo com que a imagem hollywoodiana de operadores negociando aos gritos em um pregão dê lugar a plataformas digitais, sistemas de pagamento instantâneo, Open Finance, inteligência artificial e novos modelos criados por fintechs.

Hoje, trabalhar no mercado financeiro também significa lidar com dados, tecnologia e experiência do cliente, habilidades que você precisa conhecer se quiser trabalhar na área.
Embora sejam os representantes mais conhecidos, os bancos são só uma parte do mercado financeiro. Os bancos de varejo (como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil) são os mais próximos da população e oferecem conta corrente, cartões, empréstimos, financiamentos, seguros e investimentos para pessoas físicas e empresas.
Já os bancos de investimento (como o BTG Pactual e o Safra) atuam em operações mais complexas, geralmente voltadas a grandes empresas, investidores institucionais e governos. Eles participam de fusões e aquisições, aberturas de capital na Bolsa, emissões de dívida e outras operações de captação de recursos.
As gestoras de recursos (também conhecidas como assets, que incluem Verde Asset, SPX) também atuam com investimentos. Essas empresas administram recursos por meio de fundos de investimento, que podem atender desde investidores de varejo até clientes de alta renda, dependendo da estratégia adotada.
Outro tipo de instituição que vem ganhando cada vez mais espaço são os fundos de private equity (Pátria Investimentos, Vinci Partners), que compram participações em empresas para ajudar em sua expansão e, futuramente, lucrar com sua valorização e possível venda. Os fundos de venture capital (Canary, Monashees, Kaszek Ventures) seguem uma lógica semelhante, mas investem em startups.
Também fazem parte desse ecossistema os hedge funds (Legacy Capitals, Ibiúna, Adam Capital), fundos que costumam adotar estratégias mais sofisticadas e flexíveis para buscar retorno em diferentes cenários de mercado. Já as gestoras de patrimônio, os family offices e as áreas de wealth management (BR Partners, Julius Baer) atendem clientes de alta renda, com foco no planejamento patrimonial, sucessório e financeiro.
Além dessas instituições, também existem as seguradoras (Porto Seguro, SulAmérica, Bradesco Seguros), que atuam na gestão de riscos, e as corretoras, responsáveis por intermediar a compra e venda de ativos financeiros.
Por fim, as fintechs (Stone, Cora e Nubank) ganharam protagonismo, porque estão aplicando tecnologia para transformar o setor. O crescimento delas impulsionou a popularização dos bancos digitais e de empresas especializadas em pagamentos, crédito, investimentos, seguros e gestão financeira.
A possibilidade de aprendizado acelerado, remuneração variável e altos vencimentos atrai muitos jovens profissionais.
A atuação pode envolver leitura constante de notícias e relatórios, acompanhamento de indicadores econômicos, reuniões com clientes, análise de empresas, construção de modelos financeiros e decisões sob pressão. Em muitas áreas, metas individuais e coletivas influenciam diretamente a remuneração e são recompensadas por bônus elevados.
A dimensão humana do trabalho também aparece com força em algumas áreas. Em entrevista ao Na Prática, em 2024, sobre sua atuação no Santander, Jeronimo Ramos, então superintendente responsável pela área de microcrédito do banco, resumiu uma das exigências da função ao dizer que, “para fazer o meu trabalho, tem que gostar de ficar em contato o dia todo com gente”.
A fala mostra que, apesar da associação imediata com números e produtos financeiros, parte importante do mercado depende de entender pessoas, construir confiança e oferecer soluções adequadas a cada cliente.
O primeiro mito a ser derrubado é o do enriquecimento fácil. O mercado financeiro pode realmente oferecer boas possibilidades de crescimento, mas cobra dedicação, horas extras e resiliência.
Entre as competências técnicas mais valorizadas estão:
Em áreas mais quantitativas ou tecnológicas, conhecimentos em programação, estatística, inteligência artificial e automação também ganham relevância.
O inglês continua sendo um diferencial importante e até mesmo uma exigência. Afinal, em muitas áreas é necessário lidar com relatórios feitos por instituições estrangeiras, realizar reuniões com investidores de diferentes partes do mundo e ter contato com referências internacionais.
Para ter sucesso, também é necessário desenvolver competências comportamentais (soft skills), como comunicar análises de forma clara, explicar cenários, apresentar recomendações e traduzir números em decisões.
“Ter curiosidade para aprender algo novo todo dia e estudar de tudo um pouco é fundamental para o profissional”, contou Marcelo Motta, profissional de research no J.P. Morgan, um dos maiores bancos de investimento do mundo, em uma entrevista já publicada Na Prática.
As certificações são um dos pilares do mercado financeiro em 2026. Elas comprovam conhecimento técnico e compromisso com padrões éticos. Dependendo da função, podem ser obrigatórias ou representar um diferencial competitivo. Para quem não tem experiência no setor, também podem servir como porta de entrada.
Na distribuição de produtos de investimento, a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) iniciou uma nova trilha de certificações.
Nela, a CPA é a porta de entrada para quem deseja começar. A C-Pro R é voltada a profissionais de relacionamento com clientes. Já a C-Pro I tem foco mais técnico, ligado a produtos de investimento e apoio à construção de carteiras.
Na gestão de recursos, as principais certificações da Anbima são:
Para quem deseja atuar com análise de valores mobiliários, o CNPI (Apimec) continua sendo uma certificação importante.
Para planejamento financeiro e gestão de patrimônio, o CFP é uma certificação reconhecida no mercado. Há ainda o CFA, certificação internacional valorizada em análise de investimentos, gestão de portfólio e mercado de capitais.
Não existe um único caminho para entrar no setor. Estágios e programas de trainees acabam sendo uma das principais opções, uma vez que oferecem opções para universitários e recém-formados.
Além disso, não são restritos a quem fez cursos de economia ou contabilidade. Muitas instituições querem contratar engenheiros, analistas de dados e profissionais de tecnologia, já que valorizam as habilidades desenvolvidas nesses cursos.
Além disso, cursos do setor, participação em ligas de mercado financeiro nas universidades e projetos práticos também podem auxiliar a acumular experiência nesse campo.
Como mostramos nesta matéria, há inúmeras possibilidades de atuação nesta área. Ou seja, quanto mais você se preparar e conhecer o setor, maiores são as chances de encontrar um campo com o qual se identifica e queira seguir carreira.
Nas próximas semanas, o Na Prática publicará uma série de matérias sobre as diferentes áreas do mercado financeiro e como trabalhar nelas. Não perca.
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Foto do post: DC Studio / Magnific