

Marcela Marcos
Publicado em 2 de outubro de 2026 às 12:04h.
Você deve conhecer alguém que já deixou de estudar para uma prova só para jogar mais uma (ou várias) partidas no videogame. E se fosse possível aplicar essa mesma lógica de gamificação, mas nos estudos?
Hoje já é possível usar aplicativos de gamificação para manter a motivação nos estudos. Os apps do tipo desenvolvem uma lógica de sistema de estímulos que protege a concentração, o que ajuda a manter a constância na rotina de estudos para alcançar os objetivos.
Os games são conhecidos por operar com ciclos de respostas rápidas e pequenas vitórias que provocam liberações de dopamina no cérebro. Um artigo da Harvard Business Review mostra que, quando a aprendizagem é acompanhada por estímulos de recompensa e propósito, o cérebro tende a responder com mais engajamento, o que fortalece a motivação e pode melhorar a retenção do conhecimento.
Assim, ao aplicar elementos de gamificação, o estudante pode visualizar seu progresso da mesma forma como acontece em jogos. Ele pode acompanhar seu esforço em marcos como barras de evolução ou recordes de dias seguidos de dedicação.
Antes de explicarmos como aplicar a gamificação nos estudos, é necessário preparar o ambiente. Construir um espaço sem interrupções ajuda a priorizar os estudos e focar apenas no seu progresso.
Nosso cérebro não consegue entender muito bem objetivos muito amplos. O segredo é transformá-los em metas com início e fim claros.
Por exemplo, você pode colocar que sua missão do dia é ler 20 páginas de um determinado conteúdo ou resolver exercícios de raciocínio lógico até anoitecer. Isso funciona como as missões em um jogo.
A ideia, aqui, é condicionar os momentos de lazer à conclusão dos estudos.
Você pode, por exemplo, estipular que só está liberado para assistir a uma série ou jogar uma partida de videogame após finalizar um objetivo, como as 20 páginas de leitura do tópico anterior.
Técnicas como o método Pomodoro funcionam ao criar blocos para você realizar uma tarefa enquanto não é atrapalhado por estímulos externos, como as notificações no celular.
Assim como acontece nos games, você pode criar uma maneira de ser penalizado toda vez que reage a um estímulo externo e deixa de priorizar a concentração. Por exemplo, cronometrar seu tempo de estudo em um relógio online, que zera todas as vezes que você acessar as redes sociais ou o WhatsApp.
Muitos games funcionam ao dividir os jogadores em times ou clãs. Neles, o senso de comunidade e o desconforto de não entregar os resultados esperados pelo grupo servem como motivação.
Na vida real, você pode adaptar isso ao participar de espaços de estudo coletivo em que um colega monitora o avanço do outro, fazendo com que a falta de dedicação represente uma falha do time.
Leia mais: 6 habilidades que o mercado exige e o videogame ensina
Conheça apps com versão gratuita que podem ajudar nesta tarefa:
Habitica: Este app funciona como um organizador de rotina dentro da lógica de jogos de RPG. O estudante cria um personagem que perde pontos de vida ao ignorar obrigações, mas adquire equipamentos ao concluir as tarefas pendentes.
Forest: O aplicativo semeia uma árvore na tela sempre que um bloco de foco começa. A planta morre se a pessoa fechar o programa para navegar na internet.
Duolingo: A famosa plataforma de aprendizado de idiomas tem como base as ofensivas diárias. O receio de perder o histórico de acessos força o aluno a utilizar o aplicativo todos os dias.
Um erro que você deve evitar é o de dedicar tempo demais para as ferramentas de gamificação. Elas devem levar menos tempo para serem alimentadas do que o estudo em si. A ideia é que elas sejam uma espécie de bússola para seus estudos, não uma nova tarefa que você precise realizar.
Leia mais: Gamification: como a lógica dos jogos pode te ajudar a resolver problemas
Para ir além nos estudos e desenvolver as habilidades que separam quem cresce na carreira de quem fica estagnado, garanta sua vaga no curso Execução de Alta Performance, do Na Prática, com facilitação de líderes formados em Harvard e MIT. Acesse aqui.