

Egberto Santana
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 13:24h.
O debate sobre a redução da jornada de trabalho ganhou espaço no Brasil. Enquanto a proposta de diminuir a escala 6×1 para 5×2 tramita no Congresso, algumas empresas já estão testando a semana de 4 dias como um modelo que reduz o tempo de trabalho sem cortar salário ou meta de produtividade.
Nesta matéria, explicamos o que é a semana de 4 dias, as consequências desse formato e como se preparar para esse novo ritmo.
A semana de 4 dias funciona na lógica do 100:80:100, 100% do salário, 80% do tempo de trabalho e 100% da produtividade, sendo 4 dias trabalhados e três dias de folga.
O ponto é reduzir a jornada sem diminuir a remuneração ou o volume de entregas: em vez de trabalhar de segunda a sexta, o colaborador folga um dia útil a mais. Em um piloto realizado, a maioria dos participantes optou pela folga extra na sexta-feira (60,2%), seguida por segunda-feira (22,1%) e quarta-feira (12,2%).
Apesar de a semana de quatro dias ainda não ser uma prática comum no Brasil, o modelo foi testado durante seis meses em 2024 pelo projeto 4 Day Week Brazil em 19 empresas, localizadas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
A iniciativa foi conduzida pela Reconnect Happiness at Work e contou com a FGV-EAESP na pesquisa e avaliação dos resultados. Antes da implementação, as empresas passaram por uma fase de preparação iniciada em setembro de 2023 para revisar processos, gestão do tempo e formas de organizar o trabalho.
O teste mostrou que 71,5% dos participantes perceberam um aumento de produtividade, enquanto houve uma redução de 30,5% na ansiedade semanal. O relatório também registrou melhora de 56,6% na execução de projetos e de 52,6% no cumprimento de prazos.
Além dos resultados constatados, a mudança no formato também altera a forma de acompanhar o trabalho. A liderança passa a observar as entregas em vez de usar o tempo no escritório como medida de desempenho. O modelo leva as equipes a revisar reuniões, tarefas e processos que não contribuem para o trabalho e concentrar a jornada no que precisa ser entregue.
Nem todas as empresas do piloto da semana de 4 dias no Brasil concordaram em revelar o nome, mas das que divulgaram, constam:
Há também um caso fora do projeto que chama atenção. É o da empresa Zee.Dog, do mercado pet, que anunciou em março de 2020 uma semana com quatro dias de trabalho em seus escritórios, sendo as quartas-feiras sem expediente. O modelo foi implementado em São Paulo, Rio de Janeiro, Madri e Shenzhen.
Leia mais: Como funciona a escala de trabalho em diferentes países do mundo?
A semana de 4 dias exige mudanças na forma de organizar o trabalho, para que seja possível retirar etapas, rever processos e definir prioridades. Se a empresa testa o modelo ou se você quer organizar a própria jornada, as práticas abaixo podem ajudar:
O primeiro passo é entender para onde vai o seu esforço. Tire uma semana para anotar o tempo gasto em todas as suas tarefas. Assim você consegue identificar atividades que ocupam parte da jornada sem contribuir para as entregas. O registro também permite encontrar tarefas que podem ser automatizadas, delegadas ou retiradas da rotina.
O excesso de reuniões pode ocupar horas que seriam usadas na execução do trabalho. Antes de marcar um encontro com a equipe, a pergunta que deve ser feita é se o assunto pode ser resolvido por mensagem, documento ou e-mail. A reunião, quando necessária, deve ter pauta, duração definida e participação de quem faz parte da decisão.
Leia mais: Como evitar reuniões que poderiam ser um e-mail e aumentar a produtividade
A necessidade (real ou presumida) por respostas imediatas a mensagens pode interromper períodos de concentração. O uso de e e-mails e ferramentas de conversa para comunicação assíncrona permite destinar um tempo apenas para a comunicação com os colegas.
Reduzir as notificações durante os blocos de trabalho mais profundo evita que cada mensagem interrompa a execução.
No fim, mais do que ser um novo formato de trabalho, a semana de 4 dias funciona como uma troca entre um dia a mais de descanso para os trabalhadores por mais eficiência operacional e a organização dos processos durante os dias úteis.
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