

Denise Gabrielle
Publicado em 22 de setembro de 2026 às 16:08h.
Passar meses ou anos dentro de uma empresa júnior pode render um vocabulário próprio: MEJ, EJ, núcleo, federação, diretoria. Mas na hora de procurar um estágio ou o primeiro emprego, algumas dessas expressões podem ser de difícil compreensão para quem está do outro lado do processo seletivo. O desafio é traduzir sua vivência na empresa júnior no currículo e no LinkedIn sem diminuir o que foi feito nem presumir que todo recrutador conhece o Movimento Empresa Júnior (MEJ).
Nesta matéria, vamos ensinar como tornar suas experiências na EJ compreensíveis para qualquer pessoa, indo além de dizer que foi “diretor de projetos” ou “membro da federação”.
Uma empresa júnior é uma organização formada por universitários que aplicam conhecimentos da graduação em projetos e serviços para clientes reais.
Para fazer parte de uma delas, os estudantes se candidatam em processos seletivos concorridos. Após serem aprovados na organização, podem passar por diferentes áreas e assumir responsabilidades de gestão ainda durante a universidade.
Um exemplo é a trajetória de Fernanda Amorim, ex-presidente da Confederação Brasileira de Empresas Juniores (a Brasil Júnior). Ela contou ao Na Prática, em uma entrevista em 2024, que sua passagem pelo MEJ envolveu diferentes funções.
“Ainda dentro da graduação, eu fui consultora, diretora, liderei times, fui da área de marketing, da área comercial e fui presidente de uma empresa quando eu estava com menos de 20 anos de idade. Eu percebo que, além de me desenvolver como profissional, consegui impactar e fazer a diferença na vida dos clientes e na vida de outros alunos.”
Essa variedade de funções importa porque é o trabalho realizado que deve ganhar espaço no currículo e no LinkedIn.
A escolha depende da trajetória profissional de quem está montando o perfil no LinkedIn ou o currículo.
Quem ainda não teve emprego ou estágio formal pode colocar a empresa júnior na seção de Experiência. Ao colocar a participação na EJ nesse campo, ela ganha mais relevância porque já apresenta as responsabilidades e conhecimentos desenvolvidos no movimento.
Já quem já teve empregos ou estágios formais pode criar uma seção de Experiências complementares, Atividades extracurriculares ou Trabalho voluntário para acrescentar as tarefas desenvolvidas na EJ.
O importante é organizar o seu perfil de acordo com o que é mais relevante para o tipo de vaga que você procura.
Você deve deixar claro para o recrutador em qual organização você atuou, qual função ocupou e em que período participou de alguma Empresa Júnior.
Exemplo:
Há um cuidado importante na hora de escrever o nome da organização. O ideal é apresentar o nome da EJ ou da instância por extenso na primeira menção. Por exemplo, se você participou da FEJESP, use “Federação de Empresas Juniores do Estado de São Paulo” no começo.
O mesmo raciocínio vale para empresas juniores, núcleos e outras organizações do movimento. Muitas vezes o recrutador não conhece as siglas do MEJ, por isso a ideia é entregar a informação o mais detalhada possível.
Se você faz parte do Movimento Empresa Júnior, sabe que a atuação é complexa. Por isso, escrever apenas “Responsável por projetos”, “atuação na área comercial” ou “liderança de equipe” informa pouco sobre a dimensão do trabalho realizado.
Tente pensar em uma descrição que responda a perguntas como: que projetos eram esses? Quantas pessoas estavam envolvidas? Você tinha contato com clientes? Quais ferramentas utilizava? Houve algum resultado mensurável?
Prefira aproveitar o espaço de descrição de forma mais prática, por exemplo:
“Liderei uma equipe de 8 pessoas em projeto de consultoria estratégica, com resultado de redução de custos em 15% para o cliente X; elaborei análises e apresentações; além de participar na negociação e definição de escopo dos projetos.”
Quem trabalhou com projetos pode ter utilizado Excel, ferramentas de análise de dados ou plataformas de gestão.
Já uma atuação nas áreas comercial ou de marketing pode envolver elaboração de apresentações, produção de conteúdo com o Canva ou o CapCut.
O importante é relacionar esses conhecimentos às atividades realizadas.
Os números podem ajudar o recrutador a entender o impacto do trabalho realizado naempresa júnior. Para isso, você pode acrescentar no currículo ou no LinkedIn informações como:
Só inclua números que possam ser comprovados e explicados. Se você não possui uma métrica para determinada atividade, apenas descreva a responsabilidade.
A participação em uma empresa júnior pode variar dependendo da sua área de atuação, grau de maturidade da EJ e tempo reservado para essas atividades. Por isso, vale olhar para o que você fez antes de escolher quais habilidades destacar.
Confira alguns exemplos de habilidades que você pode ter desenvolvido e sequer percebeu:
| Atividade na empresa júnior | Habilidade que pode aparecer |
| Coordenação de equipe | Liderança e gestão de pessoas |
| Projetos para clientes | Gestão de projetos e conhecimento técnico |
| Reuniões e apresentações para clientes | Comunicação e apresentação |
| Prospecção de clientes | Comunicação comercial |
| Organização de cronogramas e entregas | Planejamento e organização |
| Atuação em diferentes áreas da EJ | Colaboração e trabalho em equipe |
No LinkedIn, há um campo para inserir suas competências. A ferramenta permite que você coloque até 30. O ideal é que você destaque as que você desenvolveu durante sua experiência no MEJ e que saiba exemplificá-las durante uma entrevista de emprego.
Por exemplo, caso você tenha coordenado uma equipe, pode acrescentar “Liderança e gestão de pessoas” entre as competências.
No currículo, a ideia é que as habilidades desenvolvidas estejam no mesmo bloco que a experiência na EJ. Ainda no exemplo de liderança de pessoas, você pode escrever que uma das suas responsabilidades era a “Coordenação de equipe de cinco pessoas durante projeto desenvolvido para um cliente, com acompanhamento de cronograma e entregas.”
Dessa forma, a descrição dá ao recrutador elementos para entender de onde aquela competência veio e o que foi desenvolvido ao longo da experiência na empresa júnior.
Muitos recrutadores já consideram a experiência no MEJ como um diferencial dos candidatos. Saber transmitir tudo o que você viveu na empresa júnior no currículo e no LinkedIn, assim, é fundamental para você valorizar sua trajetória e ajudar o recrutador a entender o que você já sabe fazer.
Para continuar desenvolvendo as habilidades que você aprendeu no MEJ, garanta sua vaga no curso Execução de Alta Performance, do Na Prática, com facilitação de líderes formados em Harvard e MIT. Acesse aqui.