
Redação, do Na Prática
Publicado em 17 de abril de 2026 às 17:37h.
A relação dos brasileiros com o trabalho está mudando e não de uma maneira saudável. E os dados mais recentes mostram que isso vai muito além de um problema individual.
Uma reportagem recente do portal G1 trouxe esse cenário à tona ao destacar os resultados do estudo global HP Work Relationship Index. No Brasil, os números são especialmente reveladores: apenas 29% dos profissionais estão na chamada “Zona Saudável” da relação com o trabalho, enquanto 34% já se encontram na “Zona Crítica”.
Mais do que um retrato de insatisfação, o estudo revela uma oportunidade real: repensar a forma como o trabalho é organizado, liderado e vivido, especialmente pelos mais jovens.
O levantamento mostra que a relação com o trabalho está, em muitos casos, deteriorada:
| Indicador | Resultado |
|---|---|
| Zona Saudável | 29% |
| Zona Crítica | 34% |
| Pressão no trabalho | 71% |
| Otimismo com tecnologia | 69% |
A chamada Zona Crítica representa profissionais com alto nível de estresse no trabalho, baixa realização e pouca confiança na liderança. Já a Zona Saudável indica um equilíbrio entre desempenho, reconhecimento e bem-estar.
O problema é que o grupo que vive essa relação positiva está diminuindo.
Fatores como custo de vida, instabilidade econômica e pressão por produtividade atravessam o ambiente corporativo, transformando o trabalho em um espaço de tensão constante.
E há um ponto-chave no estudo: as empresas influenciam diretamente 85% dos fatores que determinam essa relação. Em outras palavras, não se trata apenas de “resiliência individual”, mas de decisões organizacionais.
Estar na Zona Crítica não significa apenas estar insatisfeito. É uma combinação de fatores que, juntos, aumentam significativamente o risco de burnout:
No estudo, a Geração Z aparece como um dos grupos mais impactados, ao mesmo tempo em que parece ser o que mais sinaliza as necessidades de mudanças no modelo de trabalho.
Entre os principais dados:
Isso revela uma mudança importante: salário continua relevante, mas deixou de ser suficiente.
Especialmente em centros urbanos como São Paulo (onde o custo de vida e o ritmo acelerado ampliam a pressão) jovens profissionais estão priorizando:
Esse movimento ajuda a explicar por que tantas empresas enfrentam dificuldades de retenção da Geração Z, mesmo oferecendo salários competitivos.
O estudo mostra que profissionais com uma relação mais saudável com o trabalho tendem a usar mais Inteligência Artificial no dia a dia. Entretanto, é importante evitar uma leitura simplista: não é a IA, por si só, que melhora a experiência de trabalho.
O conceito de “multiplicador de força” surge quando três condições acontecem simultaneamente:
Primeiro, a tecnologia precisa reduzir fricções reais, para além de acelerar tarefas. Quando bem aplicada, a IA elimina retrabalho, organiza informações e melhora a tomada de decisão. Porém, se mal implementada, pode aumentar a pressão por produtividade.
Segundo, é necessário preparo. Sem capacitação adequada, a IA gera ansiedade, não eficiência.
O terceiro ponto é que o contexto organizacional precisa ser saudável. Em ambientes tóxicos, a tecnologia tende a amplificar problemas já existentes. Por isso, o dado de que 42% dos profissionais na Zona Saudável usam IA diariamente deve ser interpretado com cautela: a tecnologia não é a causa isolada do bem-estar.
Se a crise é estrutural, ainda assim existem movimentos práticos que podem ajudar, especialmente para quem está no início da carreira. Reavaliar o que você considera sucesso na carreira é um primeiro passo importante. A própria Geração Z já sinaliza que sucesso tem a ver com equilíbrio e sentido, não somente com remuneração.
É nessa perspectiva que buscar ambientes com liderança coerente faz diferença. Um dos dados mais críticos do estudo mostra que apenas 15% dos profissionais acreditam que líderes praticam o que pregam. Além disso, vale priorizar contextos com flexibilidade real — não apenas políticas formais, mas culturas organizacionais que respeitam limites.
Por fim, observar sinais de alerta desde cedo pode evitar o agravamento do problema. Cansaço constante, falta de motivação e sensação de inutilidade não são etapas “normais” da carreira são sinais de risco.
Saiba mais: Estes são os verdadeiros sinais de um líder confiável, segundo estudo de 2026
Um dos pontos mais fortes do estudo é o impacto da liderança. A queda na confiança em lideranças seniores indica que o problema não está apenas na carga de trabalho, mas na forma como o trabalho é conduzido.
Nesse contexto, ganha força o conceito de DEX (Digital Employee Experience), que busca integrar tecnologia e percepção humana para melhorar a experiência dos profissionais.
Mas há um limite claro: tecnologia sem escuta ativa não resolve.
O principal insight do estudo está na direção que eles apontam. O trabalho deixou de ser apenas um espaço de produtividade: passou a ser um espaço de experiência e, cada vez mais, de saúde mental. Para empresas, isso significa revisar práticas. Já para profissionais, especialmente os mais jovens, significa fazer escolhas mais conscientes.
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O que a pesquisa HP revelou sobre o trabalho no Brasil?
Apenas 29% dos profissionais estão na Zona Saudável, enquanto 34% estão na Zona Crítica, caracterizada por alto estresse, baixa realização e falta de reconhecimento. Além disso, cerca de 71% relatam pressão constante no trabalho.
O que define a Zona Crítica no trabalho?
É a combinação de alto estresse, baixa realização e pouca confiança na liderança, geralmente associada à pressão constante e à falta de reconhecimento.
Como sair da Zona Crítica no trabalho?
Buscar ambientes com liderança coerente, desenvolver habilidades relevantes, estabelecer limites claros e priorizar empresas que ofereçam flexibilidade e suporte real ao bem-estar são passos importantes.
Por que a Geração Z sente mais pressão no trabalho?
Porque combina maior exposição à instabilidade econômica com expectativas mais altas sobre propósito, flexibilidade e qualidade de vida. Isso torna a experiência profissional mais exigente e, ao mesmo tempo, mais crítica.